NUMISMA LEILÕES n.º 147, 29 de abril de 2026: Moedas de ouro, prata e cobre. Portugal e Brasil, raridades: Coleção SAFIRA

Segunda-feira, 27 de Abril de 2026
NUMISMA LEILÕES n.º 147, 29 de abril de 2026: Moedas de ouro, prata e cobre. Portugal e Brasil, raridades: Coleção SAFIRA

Sob o título “Moedas de Ouro, Prata e Cobre de Portugal e Brasil. Coleção Privada SAFIRA”, o 147º leilão da Numisma S.A. vai realizar-se no próximo dia 29 de Abril, em sessão a iniciar pelas 14:00 horas, através das plataformas “Numisma”, “bidspirit” e “bidinside”, sendo levados à praça 467 lotes.

Como é norma nos catálogos desta já história empresa da área numismática, todos os lotes estão reproduzidos fotograficamente, merecendo alguns ampliações fotográficas de alta qualidade. Deve referir-se ainda a atrativa apresentação gráfica deste catálogo,   onde, naturalmente, se regista uma descrição dos diversos lotes, quase na totalidade reservados à numária de Portugal e antigas colónias até ao final da monarquia (lotes 12-467). Uma chamada de atenção ainda para a presença de um excecional número de exemplares de grande raridade e para o superior estado de conservação da grande maioria das moedas apresentadas, fatores que certamente mobilizarão muitos colecionadores, nacionais e estrangeiros, de moeda portuguesa, a participar neste importante leilão.

Considerando a significativa quantidade, pouco habitual, de numismas raros que serão levados à praça e a necessidade de não alongar excessivamente esta notícia, iremos referenciar aqui alguns dos lotes da nossa preferência, começando pelo grupo de 11 primeiros lotes onde merecem atenção: o lote 1, um raríssimo semisse de Augusto, cunhado em Ebora, em data posterior a 12 a.C. (RPC 50A), de que se conhece apenas mais um exemplar que pertenceu à famosa coleção Cores; os três tremisses suevos em nome dos imperadores Honório (lotes 4) e Valentiniano II (lotes 5-6), sendo especialmente raro o primeiro. Dos cinco tremisses visigodos (lotes 7-11), quatro são excecionais pela raridade e por pertencerem a emissões produzidas em casas da moeda localizadas em território português: um exemplar de Nandolas (lote 7) (topónimo que vem sendo identificado com Medas, concelho de Gondomar, mas que parece ser mais acertado localizar na região do Alto Douro), com a particularidade de ser cunhado nome de Recaredo I (lote 7), não registado nas principais obras de referência da especialidade; um tremissis de Turico (lote 8) (com possível localização no concelho de Guimarães, segundo Avelino Jesus da Costa), em nome de Sisebuto; também em nome do mesmo rei é a moeda cunhada em Vallearitia ( local que tem sido identificado com Vilariça, concelho de Moncorvo, sendo também apontada a sua localização entre Olisipo e Emerita (G. C. Miles) ou em Várzea do Douro (J. Alarcão), devendo notar-se que este exemplar, ao contrário do que seria de esperar, não apresenta os bustos de anverso e reverso do tipo Galaico A (4c), aproximando-se antes do tipo Galaico B (3e) (R. Pliego I, p. 165); finalmente, uma referência para a peça de Suintila, produzida em Bracara, registada em Pliego 408(a).

Entre a numária portuguesa, bem recheada com muitos exemplares de ouro em prata para todas as preferências e bolsas, atraíram a nossa atenção: o icónico tornês de Dinis I (lote 16); de Fernando I,  a rara Dobra Gentil (lote 19), o Meio Tornês Atípico, de Milmanda (lote 27); o magnífico Real Grosso, de Afonso V, com o escudo redondo de Castela e Leão (lote 54); o belo e raro Cruzado do Porto, de Manuel I; o Português, R-L, e lindíssimo Meio São Vicente, ambos de João III (lotes 90 e 91); o raro S. Vicente, do Porto, de Sebastião (lote 122), bem como, do mesmo monarca, o sempre desejado Engenhoso (sem data) e os 500 Reais, do Porto, ainda que reparado (lotes 123 e 126); cabe ainda destacar, entre a moeda batida a martelo, os 4 Cruzados, de 1642, de João IV (lote 142).

A Moeda, de 1678, cunhada em nome de Pedro, Príncipe Regente, pela qualidade do desenho dos seus tipos e raridade (lote 159), abre com distinção os lotes com o numerário de cunhagem mecânica, onde, como se esperaria, a moeda de ouro tem uma forte representação com dobrões, dobras, peças e outras denominações joaninas, em elevado grau de conservação e muitas raras, de que é um bom exemplo a belíssima Dobra, da Baia, de 1730 (lote 206), acompanhada por uma diversidade de numismas, de grande qualidade, de José I (lote 257-273), Maria I e Pedro III (lotes 274-285), Maria I (lotes 286-300) e João, Príncipe Regente (lotes 301-309), João VI (lotes 310-318), Pedro IV (lotes 318-321), Miguel I (lotes 322-330)e Maria II (lotes 331-352), permitindo-nos destacar a Meia Peça, de 1805 (lote 302), e os V Réis, de 1801 (lote 308), de João, Príncipe Regente, assim como o Cruzado Novo, de 1834 (lote 352), de Maria II, assinado pelo gravador inglês William Wyon.

Este leilão encerra com um bom e diversificado conjunto de lotes de numerário dos Açores (lotes 379-383), da Madeira (lotes 384-385) e das antigas colónias portuguesas (lotes 386-467), tendo-nos despertado a atenção o lote 432, 8 Soles, de 1815, com a contramarca “Mato Grosso” (lote 432) e um Quartinho de João V, de 1708R, com a contramarca M, de Moçambique (lote 464).

Em suma, estamos perante um leilão de qualidade que inclui muitos lotes de grande raridade e interesse, paralelamente com um extenso conjunto de moedas diversificado e com valores mais acessíveis, facto que certamente motivará a participação de um maior número de colecionadores nesta venda pública que, espera-se, será um sucesso.

RC


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NUMISMA LEILÕES n.º 147, 29 de abril de 2026: Moedas de ouro, prata e cobre. Portugal e Brasil, raridades: Coleção SAFIRA
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Inaugurada a exposição “Exército, Guerra e Moeda na Hispania†no Gabinete de Numismática do Museu do Porto
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