Após uma primeira apresentação da Exposição “Exército, Guerra e Moeda na Hispania” para os participantes do V Encontro Peninsular de Numismática Antiga, foi oficialmente inaugurada no dia 17 de abril presidido pelo Senhor Dr. Jorge Sobrado, Vereador do Pelouro da Cultura e Património da Câmara Municipal do Porto e demais autoridades municipais e académicas. A mostra está aberta ao público no Palacete dos Viscondes de Balsemão, no Porto, com entrada livre, sendo distribuído aos visitantes uma brochura com uma extensa explicação e descrição de todos os materiais expostos.
Esta iniciativa, com curadoria de Rui Centeno, explora a relação entre os conflitos militares e a produção monetária durante o mundo antigo na Península Ibérica, reunindo um conjunto significativo de numismas que testemunham o impacto da guerra nas dinâmicas económicas e políticas. A exposição propõe uma leitura histórica que evidencia como a moeda serviu não apenas como instrumento de troca, mas também como veículo de propaganda, afirmação de poder e memória de acontecimentos com forte repercussão na Hispania.
O percurso expositivo destaca diferentes momentos com presença de moeda Grega e Púnica, Moeda da República Romana, Moeda de Augusto, Moeda da Guerra Civil iniciada após a morte de Nero e de que resultou a ascensão de Vespasiano, Moeda Sueva e Moeda Visigoda.
O auge desta exposição relaciona-se com as últimas duas vitrines, com um conjunto nunca exposto de Moeda Sueva, constituído por um total de 47 exemplares destas raríssimas peças, e com um conjunto de moedas do Reino Visigodo, onde se podem observar exemplares produzidos em território atualmente português, os raros tremisses de Bracara (Braga), Portocale (Porto), Nandolas (Gondomar?), Veseo (Víseu) e Iminio (Coimbra).
Por fim e na vitrine central está parte do Tesouro de Santo Estêvão (Chaves), descoberto em 1879, com moedas cedidas pela Sociedade Portuguesa de Numismática e alguns manuscritos e documentos originais do Gen. Moraes Sarmento, que primeiro estudou algumas das moedas. Este conjunto de denários é um ótimo exemplo do típico entesouramento no noroeste peninsular na fase final da conquista romana da Hispania e da transição da República para o Império.
Com esta iniciativa, o Gabinete de Numismática do Museu do Porto volta a afirmar-se como um espaço privilegiado para a compreensão da história através dos seus vestígios materiais, evidenciando o papel da numismática na leitura dos grandes acontecimentos que moldaram as sociedades.
Cabe aqui felicitar esta nova colaboração de êxito entre a Câmara Municipal da Invicta e a SPN, e incentivar todos os Associados a visitarem esta exposição patente no Palacete dos Viscondes de Balsemão na Praça de Carlos Alberto 71.
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