NUMISMA LEILÕES n.º 134, dia 9 de novembro de 2022: Coleção Casta Vinhão

Quarta-feira, 02 de Novembro de 2022
NUMISMA LEILÕES n.º 134, dia 9 de novembro de 2022: Coleção Casta Vinhão

Por mais que se esforcem as empresas relacionadas com o comércio numismático em todo o mundo, são raras as oportunidades para a realização de leilões excecionais, dado que estão dependentes da disponibilidade no mercado e uma ou várias coleções numismáticas de elevada qualidade, em resultado do falecimento de um qualquer renomado colecionador ou tão só do interesse ou necessidade de alguns proprietários em vender este tipo de património. 

No caso de grandes coleções do passado, nacionais e estrangeiras, em que a numária portuguesa aparece recheada de raridades, todos os grandes aficionados e estudiosos têm presentes os leilões, por exemplo, as míticas coleções de J. Meili, H. T. Grogan, Carvalho Monteiro, Júdice dos Santos, R. Shore, da primeira metade do século XX, ou outras coleções dispersadas em tempos mais recentes, como a de E. Niepoort, A. Marrocos, J. Fontes e A. Barbas. Podendo sentir alguma nostalgia com a venda destes únicos numofilácios, constituídos pacientemente ao longo de uma vida, todos os colecionadores também sabem que estes momentos são grandes oportunidades para completar e enriquecer uma qualquer coleção, permitindo o acesso a peças de suprema raridade ou mesmo únicas.

Ora o Leilão n.º 134 que a empresa Numisma Leilões anuncia para o próximo dia 9 de novembro, com o título “Portugal Moedas de Ouro Únicas e Raras: Coleção Casta Vinhão”, representa um destes acontecimentos numismáticos que espaçadamente ocorrem. Na verdade, esta venda pública em formato online pelas plataformas “bidspirit” e “bidinside”, que levará à praça, em uma única sessão, 315 lotes selecionados, onde se destacam quatro numismas únicos entre uma panóplia de raridades em excelente estado de conservação que elevam essa venda pública ao mais alto nível. Inevitavelmente, este leilão despertará a atenção de muitos colecionadores e, espera-se, também de algumas instituições públicas e privadas detentoras de importantes numofilácios.

É tal a riqueza e qualidade dos lotes apresentados nesta venda pública que impossibilita o comentário de todas peças merecedoras de tal distinção pois, caso contrário, tornaria excessivamente longas estas notas sobre mais este leilão da Numisma. Por isso, aconselhamos todos os interessados a consultar cuidadosamente o catálogo profusamente ilustrado com fotografias de alta qualidade e provido com a informação fundamental para cada lote.

As páginas iniciais do catálogo acolhem, com grande destaque, a generosa série de moedas únicas e extremamente raras, com belas imagens acompanhadas por textos explicativos e de enquadramento histórico-numismático.

Entre este núcleo de numismas deparamos com um valioso tremissis suevo (lote 1), com iconografia inspirada na amoedação áurea romana, provavelmente cunhado na Galécia, e apresentando a particularidade de ter sido publicado por W. Reinhart, no seu trabalho “Die Münzen des Schwebenreiches” (1937). Exemplar emblemático (e também único) é o tremissis de Recaredo I emitido em Olisipona (Lisboa), talvez no início do reinado, do tipo “bustos de frente” adotado como tipo padrão visigodo com Leovigildo, em 584.

A numária da Monarquia Portuguesa começa no lote nº 3 e vai até o nº 218, seguida pelas moedas da República (lotes 219 e 240), algumas moedas das antigas colónias em ouro (lotes 242 a 246), moedas estrangeiras em ouro (lotes 247 a 313), onde predominam as unidades da Alemanha, França e Reino Unido, encerrando-se o leilão dois lotes de medalhas também em ouro (lotes 314-315).

No topo do grupo de altas raridades ou moedas únicas que figuram neste leilão, está uma “Meia Dobra pé-terra” de D. Fernando I (lote 3), em excelente estado de conservação, que mostra o tradicional anverso ilustrado com um bom retrato do rei de pé, armado, sob um arco ogival, mas com a particularidade de ostentar, entre os pés, a marca L, da casa da moeda de Lisboa, conferindo-lhe a excecionalidade de exemplar único e, portanto, uma preciosidade.

Também com um elevado estatuto é o lote nº 15, um Português de D. Manuel I, com um reverso inédito, onde a Cruz de Cristo é encimada por 2 pontos na vertical, facto que, associado ao muito bom estado de conservação, torna este exemplar, além de único, muito atrativo.

A última moeda única presente nesta venda pública, são os 50 réis de D. Luís I, de 1888 (lote 213), exemplar que, naturalmente, não existe na Coleção Real ou na da Casa da Moeda. Sendo uma moeda autêntica, todavia, não há registo de fabrico desta denominação em 1888, podendo admitir-se a possibilidade de, pelo menos, um cunho ter sido aberto pelo final de 1888, mas só utilizado no ano seguinte, aparecendo tal emissão registada nos números de produção referentes a 1889. É efetivamente um importante espécimen, a mais rara moeda do reinado de D. Luís I, apresentando um superior estado de conservação. 

Outras moedas merecem também aqui uma sinalização especial, sobretudo pela sua raridade ou importância histórica: o “Engenhoso” (500 Reais) de D. Sebastião I, sem data (mas talvez de 1564) (lote 23) é uma das moedas portuguesas de maior raridade e valor, sendo um marco na produção monetária nacional, pois é o resultado de uso de um “engenho” que permitia fabricar moeda de ouro fundida, em série, uniforme e de peso regular, tecnologia posteriormente abandonada pelo alto custo da produção; o lote nº 25, os 500 Reais de D. Henrique I, é de altíssima raridade, devido ao breve período de produção, num reinado marcado, sobretudo, por conflitos relacionados com o problema de sucessão; o lote nº 26, 4 Cruzados L/B-IIII, de D. Filipe II, sendo uma peça raríssima, é ainda valorizada pelo seu “pedigree”, uma vez que integrou um leilão Sotheby’s de 1996; o lote n.º 27, também 4 Cruzados, L/B-IIII, desta vez de Filipe III, com igual qualidade de cunhagem e esmero nos detalhes é também um exemplar muito raro a ter em atenção. 

D. João V emitiu diversas moedas de ouro que refletem a grande exploração mineira que acontecia então no Brasil, numerário bem representado neste leilão diversas moedas em belo estado de conservação e lindo cunho como o são os lotes 53 ao 98, onde se destaca o lote nº 60, uma Dobra de 1729 R, cunhada no Rio de Janeiro, uma das casas da moeda brasileiras que produziu moedas de ouro para circulação em Portugal. A rainha D. Maria I está bem representada nos lotes nº 123 a 132, junto com D. Pedro III, e viúva nos lotes nº 133 a 145, merecendo uma menção especial o lote nº 133: um belíssimo exemplar de rara Peça de 1786 com véu de viúva (G.26.01). 

Uma das moedas de bronze a assinalar neste leilão é o lote 155, um Pataco de 1811, de D. João Príncipe Regente muito rara, que apresenta uma imperfeição de cunhagem no campo. O lote 158, uma Peça de 1820, de D. João VI é considerada raríssima, por ser de um período em que, devido a uma situação política complexa, diminuiu a cunhagem em ouro. A amoedação de D. Maria II tem a particularidade das Peças conhecidas por degoladas, como o lote nº 175, em que o busto da Rainha é substituído por somente a cabeça à esquerda; após uma reação negativa da monarca, esta moeda foi rapidamente suspensa e por isso é bastante rara e apreciada pelos colecionadores. 

Esta magnífica seleção de moedas raras e únicas está disponível no catálogo online no site da Numisma S.A., e também em versão impressa na sede da Sociedade Portuguesa de Numismática para apreciação dos Associados.

Finalmente, desejamos que belo leilão, repleto de moedas em ouro únicas e de altíssimo valor histórico e científico, seja um grande sucesso e contribua para o alargamento da comunidade numismática portuguesa.

R.M.S. Centeno e A. Baeta


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Anúncio da 81ª Permuta Inter-Associados da SPN, 5 de dezembro de 2022
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