NUMISMA LEILÕES n.º 136, dia 13 de abril de 2023: Coleção "Minho"

Sábado, 08 de Abril de 2023
NUMISMA LEILÕES n.º 136, dia 13 de abril de 2023: Coleção

“Portugal e Brasil Raridades Moedas de Ouro — Coleção Minho” é o título com que se apresenta o leilão de número 136 da Numisma S.A., que irá decorrer no próximo dia 13 de Abril, apenas online através das plataformas “bidspirit” e “bidinside”, onde serão levados à praça 237 lotes em uma única sessão, entre a 15H00 e as 18H00.

Como facilmente se pode observar no bem ilustrado catálogo, apesar de ser significativamente menor a quantidade de lotes presentes em comparação com leilões anteriores, esta venda pública tem enorme valor pela elevada qualidade e raridade das moedas, sobretudo de ouro, que são disponibilizadas para compra.

O catálogo abre com a apresentação detalhada dos cinco lotes em destaque neste leilão, onde se enquadra, para cada um, a relevância histórica e numismática, raridade e valor, que lhes confere o grau de preciosidades numismática e, por isso, ambicionados por qualquer colecionador.

O lote 2, um Morabitino de D. Sancho I, uma moeda conhecida por ter um elevado teor de ouro na sua liga e uma iconografia, com o Rei de espada em punho e a cavalo, que nos remete para algumas representações em igrejas medievais. Seguida pelo lote 6, uma Dobra pé-terra de D. Fernando I, batida no início de seu reinado e de inspiração francesa, com a representação do Rei, de pé, couraçado e coroado, empunhando a espada e o escudo, no interior de uma estrutura arquitetónica gótica. Esta moeda, muito valiosa, é de extrema raridade e encontra-se em ótimo estado de conservação, merecendo no catálogo a classificação de soberba.

Já o lote 24, da mais alta raridade, uma moeda de 4 Cruzados, de 1642, emitida em nome de Rei D. Afonso VI, e com carimbos [4 coroado] e [4400 coroado] do Príncipe Regente D. Pedro, determinados pelos alvarás de 1662 e 1668 que, mais uma vez, reajustaram o valor da moeda de ouro, em resultado do período inflacionário consequente à Restauração e à guerra com Espanha.

Segue-se o lote 69, uma Peça de 1752, emitida por D. José I, de que se se conhecem, para além desta, mais dois exemplares que se encontravam com mais 1200 moedas de ouro portuguesas, no navio inglês “Dodington”, naufragado na costa da África do Sul, em 1755, e localizado por mergulhadores nos últimos anos do século passado; em invulgar estado de conservação, este exemplar tem um excecional interesse numismático, sendo a sua existência referenciada, pela primeira vez, por Ferraro Vaz na edição de 1969, do seu famoso “Livro das Moedas de Portugal”. O último grande destaque é o lote 89, uma Peça de D. Maria I, cunhada em 1786, moeda de extrema raridade, por apresentar uma partição invulgar da legenda (MARIA.I.D.G.-PORT.ET.ALG. REGINA) de que se conhecem somente quatro exemplares. 

Para além destes 5 “highlights”, é possível descobrir um generoso conjunto de lotes de grande interesse e raridade, convenientemente assinalados pelos peritos da Numisma. Assim, entre as páginas 19 e 26 do catálogo, são referenciados com as necessárias ilustrações 64 lotes de especial interesse, de ouro, prata e um de cobre, um visigodo e os restantes do reino e do império, bem como alguns estrangeiros de moedas comemorativas.

O lote 1 do catálogo é um raríssimo (apenas se conhecem 2 exemplares e dos mesmos cunhos) triente visigodo de Suintila (621-31), batido em Tvriviana, que, segundo alguns estudiosos, poderá identificar-se com a povoação de Torebia, referenciada no “Parochiale Suevorum”, plausivelmente, localizada na paróquia de Milhundos (Penafiel). A ser certa tal identificação em território português, para além da raridade, este exemplar adquire um significado histórico particular e que muito valorizaria a coleção de qualquer unidade museológica portuguesa com capacidade financeira para a comprar.

O núcleo central do leilão é constituído por uma bela coleção de moedas do Império Português (lotes 2 - 149), e da República (lotes 150 - 193) que incluem lotes com grupos de moedas que despertam sempre grande interesse entre colecionadores e comerciantes da especialidade (sobretudo os lotes 137-158) e moedas comemorativas, duas moedas da Índia portuguesa (lotes 194 e 195), complementado por moedas estrangeiras (lotes 196-226) e medalhas (lotes 227 – 237). Entre estes lotes despertaram-nos especial atenção: os LXXX Reais de D. Filipe I, com a particularidade de a legenda do anverso rematar com PORTVGALIE (lote 21), não registada na bibliografia de referência; merece também uma menção a Moeda de D. Pedro II, de 1703, com eixo horizontal, pela sua alta raridade e grande valor (lote 25); ainda com interesse é o ensaio de cobre para Peça de D. Maria I, de 1798 (lote 97), sendo que este tipo de objetos nos permitem conhecer algumas propostas, por vezes de grande arrojo estético, que nunca foram materializadas em moeda corrente; finalmente, incontornável é a referência da famosa Peça de 1821 (com cruz irradiada), de D. João VI, de que apenas há registo de 9 exemplares conhecidos.

A coleção Minho impressiona e fica marcada como uma bela coleção, sobretudo com numerário de alta qualidade em prata e ouro, seja pelo seu interesse histórico, pela sua raridade ou belo estado de conservação, sendo expetável que este “leilão pascal” se transforme em mais uma iniciativa de sucesso a que a empresa Numisma já nos habituou.

Rui Centeno e Alice Baeta


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