NUMISMA LEILÕES n.º 133, dias 28 e 29 de setembro de 2022: Coleção Blue River

Domingo, 25 de Setembro de 2022
NUMISMA LEILÕES n.º 133, dias 28 e 29 de setembro de 2022: Coleção Blue River

A Numisma Leilões anuncia, para os dias 28 e 29 de setembro, o seu quarto leilão deste ano. A Coleção “Blue River - Moedas Raras de Ouro e Prata de Portugal, Brasil e Colónias” vai a venda pública, em duas sessões, exclusivamente em formato online, através das plataformas “Bidspirit” e “Bidinside”: no dia 28 serão colocados em praça os lotes 1 a 307, estando reservados para o segundo dia os lotes 308 a 697. As 121 páginas do atrativo catálogo deste leilão n.º 133 são enriquecidas por 34 estampas com fotografias ampliadas dos lotes considerados de maior interesse numismático, seja pela sua qualidade e/ou raridade, permitindo uma análise bastante detalhada dos exemplares ilustrados.

Como é tradição nos leilões da Numisma S.A., a numária portuguesa é preponderante com 591 num total de 692 lotes, sendo os restantes reservados a interessantes conjuntos de moeda dos períodos clássico, bizantino, visigodo e muçulmano (lotes 1-138), bem como a numerário estrangeiro (lotes 660-692), essencialmente de ouro.

A primeira sessão começa com moedas gregas (lotes 1 ao 4), seguidas de moedas Hispânia Antiga (lotes 5 ao 8) e de denários da República Romana (lotes 9 ao 27, alguns com vários exemplares); já as moedas imperiais romanas (lote 28 ao 87) estão representadas por uma boa variedade de emissões, de prata e algumas de ouro, até aos finais do Império, onde se destaca um bonito áureo de Antonino Pio (lote 42).  A amoedação visigoda (lotes 88-100) e bizantina (lotes 101-111) apresenta-se generosamente representada, onde sobressaem dois raros trientes de Liúva II e de Ervígio, cunhados em Mérida (lotes 89 e 99). A numária anterior à Nacionalidade é encerrada com um conjunto de lotes de moeda muçulmana (lotes 112-138), de ouro e prata, uma boa parte do al-Andaluz.

Continuando a folhear do catálogo do leilão, entramos na numária de Portugal e do seu Império, secção que aloja quase sempre os lotes mais “apetecidos” dos leilões da Numisma S.A. e, por isso, é aconselhável uma observação muito cuidada de todos os que são apresentados. Como seria de esperar, aqui podemos descobrir exemplares de alta raridade, alguns oriundos de renomadas coleções, outros de grande interesse histórico ou em elevado estado de conservação

 Assim, não será de estranhar que, sendo muitos os lotes a merecer um destaque, para não sobrecarregar esta notícia do Leilão 133 apenas nos limitaremos a mencionar os numismas que mais despertaram a nossa atenção, referidos de seguida.

O tornês de D Dinis (lote 142), de que são conhecidos pouco mais de 20 exemplares, daí raramente aparecer no comércio da especialidade, é uma moeda sempre desejada por qualquer grande colecionador.

Na numária de D Fernando I (lotes 144-167) destacamos os lotes 147, um Meio Real, FR, L, que integrou a famosa coleção de Eduardo Niepoort, 148, um Real Branco, Ç-A, de Samora, peça raríssima, de que se conhecem 3 ou 4 exemplares (com um valor base de €5.000) e o lote 152, a rara Barbuda, de Lisboa, com o reverso idêntico ao do Gentil.

O lote 168, um Real de Dez Soldos, de D. João, Regedor e Defensor do Reino, muito raro, é também um exemplar a ter em atenção. No reinado de D. Afonso V, o lote 182, um Cruzado, P, extremamente raro, despertou o nosso interesse, estando certificado pela NGC; dentre os poucos exemplares conhecidos, existe um em exposição na Casa do Infante, pertencente ao Gabinete de Numismática do Museu da Cidade no Porto. De registar também, e o Espadim/Meio Justo “L”, de D. João II, de grande raridade, apresentado no lote número 188. 

Uma menção particular é devida aos dois exemplares de Português (10 Cruzados) de D. João III, lotes 199 e 200, respetivamente, das emissões L-R com três pontos e R-L sem pontos, moedas do maior interesse histórico e colecionístico e muito raras e valiosas. Este reinado está ainda bem representado com outros lotes de grande raridade e em belo estado de conservação, sendo de nomear: os lotes 201 ao 203, moedas de tipo São Vicente e Meio São Vicente, onde consta, entre o segundo tipo, um raríssimo exemplar que pertenceu à coleção do Eng.º Paulo de Lemos.

Entre a numária de D. Sebastião, com diversos lotes em ouro, incluindo o lote 233, onde se encontre um de São Vicente em estado de conservação quase soberbo, sendo uma das mais belas moedas de ouro deste grupo, não podemos deixar de mencionar os raríssimos 500 Reais, sem numeral (lote 235) e P-O com três pontos sobre as letras (lote 240), sendo esta última reproduzida no catálogo de Alberto Gomes.

Os lotes 250 ao 258 abrigam moedas emitidas pouco antes e no início do período da União Ibérica, dirigindo-se a nossa preferência para o Meio Tostão, cunhado pelos Governadores do Reino (lote 250), de grande raridade, bem como o Tostão e os 2 Reais ND de D. António I (lotes 251 e 252) e outras de igual valor, atendendo à baixa emissão de moeda desse período. Para os Filipes, os 4 Cruzados, LIIII-B (lote 260) e LB-IIII (lote 264), de D. Filipe II e III, respetivamente, são moedas de referência obrigatória, considerando a sua alta raridade. 

A segunda sessão, no dia 29 de setembro, inicia-se com 62 lotes do reinado de D. João V, sendo 50 em ouro, abundância que espelha o grande incremento da amoedação de ouro neste período em resultado da intensificação da exploração mineira no atual território brasileiro, entre os quais os belos Dobrões (308 a 311) impressionam, principalmente o lote 308, emitido em 1724, de considerável raridade. Do reinado de D. Maria I e D. Pedro III, é de registar uma rara Meia Peça, de 1780 (lote 394), com o lance inicial fixado em €1.500.

Entre o numerário de D. João, Príncipe Regente, sobressaem os lotes 420 e 425: o primeiro, uma Peça (de Jarra), de 1802, rara e valiosa, e o segundo, um Meio Escudo de 1805, também raro e em excelente estado de conservação. Já em nome de D. João VI temos uma das famosas  Meia Peça, de 1821, da qual somente foram amoedados 196 exemplares (lote 441), e um Cruzado Novo (Pinto), de 1821, cuja amoedação se limitou a 266 exemplares, tratando-se de moedas de alto valor simbólico e financeiro, além do excelente estado de conservação em que se encontram. 

No âmbito das celebrações do bicentenário de independência do Brasil, merece aqui um realce o numerário de D. Pedro IV, cujo coração recentemente viajou do Porto para as Terras de Santa Cruz, representado nesta venda pública com quatro lotes (451-454), sendo o segundo desses, uma bela peça de 1828, muito rara. A filha deste monarca português e primeiro imperador do Brasil, D Maria II, está representada por 16 lotes, sendo que um deles é a Peça 1833, popularmente designada por “Degolada”, moeda muito procurada e rara, em que a efígie da monarca se limitar à representação da sua cabeça. As moedas lusitanas terminam com as séries emitidas na República (lotes 489 e 542), em que se registam muitas moedas comemorativas em ouro.

Seguem-se as moedas dos Açores, Madeira e das Antigas Colónias Portuguesas: de Angola sobressai a moeda de 12 Macutas, emitida em 1762, extremamente rara (lote 551); no grupo de emissões do Brasil (lotes 557-587) salienta-se a boa presença de numerário de ouro com 17 exemplares; as moedas da Índia, que sempre geram muito interesse devido à sua característica iconografia, aparecem em um grande grupo com 59 lotes (589-648), dos quais se destacam os lotes 591 a 593, exemplares do Pardau de São Tomé (na estampa da pág. 103, a primeira foto ampliada do Pardau de S. Tomé corresponde ao lote 592 e não ao 591, como por gralha se indica); dentre as Tangas,  o lote 602 é um exemplar de 2 Tangas, de 1633, muito rara e bela. Além de emissões de D. João V e D. José I, em ouro, de xerafins, destacam-se as de 5 xerafins (lotes 614 a 616 e 626) e a de 1 xerafim (lote 617) pela sua grande raridade. O o numerário das ex-colónias termina com as moedas de Moçambique, onde se destacam dois lingotes (lotes 653 e 654), um equivalente a 21,5 maticais e o outro de meia barrinha ou 1,25 maticais, sendo o último muito raro. A sessão do dia 29 de setembro encerra com a numária estrangeiros, em que novamente predominam as emissões em ouro. 

Concluindo, a Numisma S.A. apresenta mais um leilão muito bem recheado de raridades, onde impressiona a quantidade de moeda de ouro, em grande parte, ostentando um belo estado de conservação. Augurando o maior êxito a esta realização, acompanhada por uma forte adesão de colecionadores e interessados, apresentamos as nossas felicitações à empresa leiloeira e lembramos que o catálogo está disponível na SPN para consulta, assim como no portal da Numisma (https://www.numisma.pt/web/files/catalogos/LAST/CATALOGO_LEILAO_133_(28_-_29-Setembro-2022).pdf).

Rui Centeno e Alice Baeta


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NUMISMA LEILÕES n.º 134, dia 9 de novembro de 2022: Coleção Casta Vinhão
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