NUMISMA LEILÕES n.º 120, dia 23 de outubro de 2019

Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019
NUMISMA LEILÕES n.º 120, dia 23 de outubro de 2019

Dentro de dias, em 23 de outubro, vai acontecer mais um importante leilão de moedas, medalhas, papel-moeda e bibliografia numismática, num total de 652 lotes, organizado pela NUMISMA LEILÕES, no Hotel 3K Europa, em Lisboa. O evento é apresentado num esmerado catálogo com a ilustração de todos os lotes, complementado por 8 estampas com magníficas fotografias ampliadas dos principais destaques deste leilão.

Cabe aqui uma especial referência à origem de grande parte dos lotes presentes neste leilão: integravam a coleção do emérito e multifacetado Numismata, José Rodrigues Marinho, conhecido internacionalmente sobretudo pelas suas pesquisas na área da Numismática Islâmica, como bem saliente Alberto Canto na introdução bio-bibliográfica que escreveu no respetivo catálogo. 

O leilão abre com 57 lotes reservados ao Mundo Antigo, com um interessante conjunto de moedas romanas (1-33), hispano-romanas (34-55), um solidus bizantino (56) e um tremissis, atribuível ao rei visigodo Leovigildo (57).

A numismática muçulmana tem uma preponderância especial neste leilão, refletindo bem os interesses do proprietário da coleção, José Marinho, aqui representada por um número significativo e pouco usual, nos leilões nacionais da especialidade, de lotes de moedas muçulmanas de ouro e prata (58-182), essencialmente do al-Andalus, que muita curiosidade irá despertar entre os colecionadores e aficionados de moeda islâmica. Neste grupo sobressaem dois belos dinares almorávidas, um em nome de Ali Ibn Yusuf (63) e outro de Tasfin ibn Ali (70), cunhados em Marrakush, 522 e Al-Mariyah, 539, respetivamente, e dois quirates únicos também de Tasfin ibn Ali (174 e 177) e um terceiro, raríssimo, de Abu Talib al-Zuri, com o atrativo de proceder da casa da moeda de Beja, 1144-45 (180), portanto, de particular interesse para os colecionadores portugueses.

A numismática nacional arranca com moedas da I Dinastia (183-208), onde “brilha” um magnífico Real de D. Fernando I (193), que pertenceu à famosa coleção Niepoort, a par da raríssima Barbuda -P, também fernandina (200), cunhada na “Cidade Invicta”, de que se conhecem apenas mais 3 exemplares. A II Dinastia também se apresenta recheada de preciosidades, sendo as nossas preferidas: o Real de Dez Soldos P/P-O (210), do fundador da Dinastia de Avis, e o raro Tostão L-V (1º Tipo), de D. João III (248), em assinalável bom estado de conservação. Na dinastia filipina, salientamos os raros XX Reais, de Filipe I (286) e o Tostão LB, rodeado por pontos, de Filipe II (287), moeda única com a particularidade de estar reproduzida no catálogo de A. Gomes. Na última dinastia, a melhor representada com perto de centena e meia de lotes (293-427), encontramos uma boa quantidade de exemplares de grande raridade e, por isso, muito difíceis de adquirir no comércio da especialidade. O nosso destaque vai para: o belo Cruzado, E (295), de D. João IV, muito bem acompanhado por outra raridade que é o Tostão 1641, L-C (296), do mesmo monarca; seguem-se a Dobra de 1732 M, com serrilha de corda (317), o Meio Dobrão 1725 M (320) e a soberba Meia Peça 1732(333), todas de D. João V; de Maria I e Pedro III, é obrigatória a referência à rara Meia Peça 1781 B (392) e de D. João VI, será também de ter atenção na Meia Peça 1818 (413).

A Madeira bem representada por uns soberbos e raros V Reis 1850, de D. Maria II (430). Prossegue o leilão com a numária da Índia Portuguesa, onde são “highlights” as 4 Tangas 1635, M-A/D-M, de D. Filipe III (432), os sempre procurados 12 Xerafins 1769, Goa, de D. José I (438) e os Ensaios de 10, 5 e 3 Réis, todos de 1834 (451-53), portanto do reinado de Maria II; de Moçambique existe apenas um lote mas de referência obrigatória: os raríssimos 800 Réis 1735, G-A, do tempo de D. João V (456), em estado de conservação nada usual.

A moeda estrangeira está presente, quase na totalidade, com exemplares de ouro, onde merecem referência um lindo Marabetino, de 1199, cunhado por Alfonso VIII (478) e um muito raro exemplar de 2 ½ Céntimos de Escudo, 1866, da casa da moeda galega de Xuvia (Juvia), do reinado de Isabel II (479).

Segue-se um importante e extenso conjunto de medalhas (482-558), algumas valiosíssimas, onde tivemos dificuldade para selecionar os destaques a registar nestas linhas,  considerando a abundância de exemplares de alta qualidade e raridade presentes neste leilão: comecemos pela excecional Medalha da Rosa (482), de ouro, que os organizadores do leilão dizem ser o único exemplar que conhecem; uma segunda referência para as duas medalhas, de ouro, dedicadas à Infanta D. Catarina de Bragança, por ocasião do seu casamento com rei Carlos II de Inglaterra (483 e 485); depois temos outras duas preciosidades, de ouro, do reinado de D. José I, uma que recorda a tentativa de atentado contra este monarca (497) e outra comemorativa da inauguração da estátua equestre de D. José (502); também a merecer realce são as medalhas de ouro, de Maria I e Pedro III, uma comemorando a fundação da Igreja do Santíssimo Coração de Jesus (504), outra dedicada à memória de Camões (506); finalmente, a fantástica medalha de ouro, de que se cunharam apenas 3 exemplares e da autoria do escultor Simões de Almeida Sobrinho, que comemora o primeiro centenário da Guerra Peninsular (555).

Os lotes finais deste leilão não significam que o seu interesse seja menor, como facilmente se deteta ao compulsar o respetivo catálogo, quando deparamos com cerca de meia centena de notas portuguesas, onde uma boa parte são exemplares de grande raridade e elevado valor. Só para aguçar a curiosidade dos nossos leitores, diga-se que, entre as cinco dezenas de notas (559-608), encontram-se preciosidades como, por exemplo, os 10.000 Réis, 21.3.1882, s/chapa (577), os 20.000 Réis, 15.9.1891 (583), os 50.000 Réis, 17.6.1889 (590) e os 50.000 Réis, 18.10.1898 (591).

O leilão encerra com um bom conjunto de lote de livros de numismática da biblioteca de José Rodrigues Marinho, com uma boa, e óbvia, presença de obras dedicadas à numismática islâmica. Contudo, o nosso destaque neste capítulo vai para a rara obra de Bento Morganti, publicada em Lisboa, no ano de 1737.

Em suma, estamos perante mais um leilão com exemplares de alta qualidade, raros e valiosos, características que têm pautado as vendas públicas organizadas pela Numisma Leilões a que nos cumpre saudar e agradecer pelo relevante contributo que vem dando à promoção da Numismática, desde o colecionismo ao associativismo nesta área.

RC 


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